© Soneto  Edmar Japiassú Maia

  

O olhar é opaco, a face contraída,

há flacidez nas pálpebras cansadas,

a boca é seca, a tez esmaecida,

encimada por mechas desgrenhadas...

  

Todo o peso das culpas desta vida

repousa sobre as costas encurvadas.

O farto ventre, a carga mais sentida,

castiga as frágeis pernas arqueadas...

  

De confidentes restam a bengala

e uma imagem sagrada, lá na sala:

-Fiéis acompanhantes da velhice!

  

Velhice de incertezas e mistério,

que o tempo vai legando a seu critério...

e a mim agora impôs...sem que eu pedisse!

 

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